Bom, essa pergunta geralmente nos fazemos quando estamos sofrendo uma decepção amorosa, ou quando presenciamos exemplos entre os nossos familiares, amigos e terceiros.
Em um site muito interessante que acompanho sempre, a senhora Martha Craven Nussbaum , escreveu um texto explicando O QUE É O AMOR. Ela nos explica de forma "filosofica'' e tenta nos repassar através desse texto o que vivemos no dia-a-dia, e como esse sentimento tão "inexplicável" reage em nosso corpo.
Só para informações uma pequena biografia de quem é Martha Craven Nussbaum
Estudou teatro e línguas clássicas na Universidade de Nova York, e aos poucos aproximava-se da filosofia, acabando por se formar em Harvard em 1972. Durante a década de oitenta, Nussbaum começou a trabalhar em colaboração com o economista Amartya Sen sobre questões relacionadas com o desenvolvimento e a ética. O seu último livro traduzido para o espanhol, ocultação da humanidade: desgosto, vergonha e de direito, faz um estudo profundo das emoções, algo que já tinha começado a despontar nas obras anteriores.
Este abrange temas como o medo, a vergonha, a gratidão e o ressentimento, tenta definir se são racionais ou impulsos simplesmente , sentimentos ligados à nossa forma de ver o mundo, se essas emoções são universais, ou se elas variam dependendo da cultura. - Acompanhem o texto:
"Entende-se habitualmente que o amor é uma poderosa emoção que implica uma intensa ligação a um objeto e uma grande valorização desse objeto. Em algumas acepções, contudo, o amor não implica, de todo, emoção, mas somente um interesse ativo no bem-estar do objeto. Noutras situações o amor é essencialmente uma relação que implica permutação e reciprocidade, mais propriamente que uma emoção. Além disso, há muitas variedades de amor, incluindo o amor erótico-romântico, o amor da amizade e o amor filantrópico. Culturas diferentes também admitem diferentes tipos de amor. O amor tem, igualmente, uma arqueologia complicada: porque tem fortes conexões com experiências de afetos precoces, pode existir na personalidade a diferentes níveis de profundidade e nitidez, apresentando problemas específicos para o auto conhecimento. É um erro tentar fazer uma descrição excessivamente uniformizada de um tão complexo conjunto de fenómenos.O amor tem sido entendido por muitos filósofos como fonte de grande riqueza e energia na vida humana. Mas mesmo aqueles que exaltam a sua contribuição têm-no visto como uma potencial ameaça à vida virtuosa. Por esta razão, os filósofos na tradição ocidental têm-se preocupado em apresentar descrições da reforma ou "elevação" do amor, com vista a demonstrar que há formas de conservar a energia e a beleza desta paixão, ao mesmo tempo que se eliminam as suas más consequências.
O amor não é apenas uma emoção: pode também ser um tipo de relação. Aristóteles, na Ética a Nicómaco, insistiu que o amor (da amizade) implica sempre conhecimento mútuo e benevolência recíproca. Embora qualquer descrição do amor necessite de abrir caminho para amores que não são correspondidos, ou que são dirigidos para objetos que não podem retribuir (como bebés ou alguns animais) ou que não podem fazê-lo tão claramente (como Deus), a insistência de Aristóteles na interacção e na reciprocidade fornece um ingrediente importante para uma descrição normativa de muitos tipos de amor humano, quer da amizade quer romântico-erótico. Com efeito, a recusa em conceber o amor em termos relacionais é uma deficiência central em muitos casos de amor erótico, nos quais o objecto amado é, de facto, tratado como um objecto a ser possuído e imobilizado. Embora Proust pensasse que tais desígnios eram essenciais ao amor erótico, pode-se duvidar disto.
Alguns amores podem não envolver, de modo algum, uma emoção forte. Kant (1797) insistiu que o "amor patológico" (amor que envolve uma emoção passiva) era inferior ao "amor prático", uma ligação activa ao bem dos outros, incluindo emoções de respeito e preocupação. Quer concordemos quer não, devíamos reconhecer que este comprometimento prático ativo é um tipo de amor: o amor filantrópico, por exemplo, pode ser melhor entendido desta forma. Os estóicos gregos acreditavam que mesmo o amor erótico podia ser repensado de uma forma que o tornasse compatível com a apatheia, impassibilidade, própria dos doutos. Seria um entusiasmo activo acerca do bem-estar do objeto, sem as correntes da passividade angustiante que habitualmente caracteriza a ligação erótica (...) ''


















